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BIODIESEL REQUER MAIS CUIDADOS

Em janeiro de 2010, o percentual de biodiesel adicionado ao diesel aumentou de 2% para 5%. Com a modificação, os problemas, até então tímidos, começaram a ser notados em todo o País. Notícias davam conta de que os comercializadores de combustíveis e lubrificantes planejavam entrar na Justiça contra os produtores de biodiesel, e os revendedores começaram a perceber equipamentos danificados e alterações na consistência do produto final, com a formação de borras e a proliferação de bactérias. Não demorou para o consumidor bater à porta das revendas e reclamar de problemas causados nos veículos.

Já é de conhecimento dos proprietários de postos, que comercializam esse tipo de combustível, que a chegada do inverno agrava a situação. “A tendência é a piora nos índices, pois as baixas temperaturas podem modificar alguns índices comportamentais da mistura, principalmente em biodiesel originado de produto animal”, depõe o consultor da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) Delfim Oliveira.

O sócio-proprietário do Auto Posto Godoiense Ltda. – localizado no centro da cidade de Cândido Godói – José Noelci Rohleder conta que na estação fria, no ano passado, constatou problemas com um dos caminhões que transporta o combustível até à revenda. “Houve formação de borra, que entupiu os equipamentos”, explica.

Rohleder comenta que os custos aumentaram com as mudanças no diesel e que, para evitar contratempos, faz a drenagem do combustível duas vezes por semana. “Assim que os problemas começaram, imprimi várias matérias sobre o tema e repassei para os funcionários para que eles estivessem a par da situação”, justifica. O revendedor diz que mantém o estoque baixo do produto e consegue isso, pois tem transporte próprio. “Acredito que ajuda a evitar transtornos”, conclui.

Porém, a prática não é recomendada por Oliveira. “Somos sabedores que trabalhar com tanques sempre cheios evita o maior contato do ar (junto com a umidade) e, obviamente, menor oxidação e formação de goma no fundo”, diz. Além disso, conforme ele, qualquer comerciante sabe da dificuldade de se manter estoques elevados em qualquer tipo de atividade, sendo matéria de logística fazer, se possível, a reposição just-in-time para melhorar a rentabilidade.

Reclamações

As principais reclamações dos proprietários de postos têm relação com a formação de borras, proliferação de bactérias, degradação rápida do produto e a necessidade de troca de filtros com maior frequência. No entanto, no frio, há registros de estragos de bombas que se desregulam, gerando transtornos, inclusive, na fiscalização do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

Gilberto Tavares Sequeira, proprietário dos postos da Praia e da Estação – ambos localizados na Praia do Cassino, em Rio Grande –, conta que já enfrentou dificuldades com a mistura biodiesel-diesel. “Também tenho ouvido relatos de colegas. As caminhonetes importadas costumam apresentar mais problemas com o produto, pois os filtros parecem ser mais sensíveis e acumulam mais água”, comenta.

Sequeira reorganizou a rotina do posto quanto à drenagem do combustível e limpeza dos equipamentos, que precisou ser feita com mais frequência. “Montamos planilhas para controlar e poder avisar a distribuidora quando algo fora do normal é detectado”. Para o revendedor, o maior ponto negativo é perder clientes que, se prejudicados com a situação, deixam de consumir no posto. Eles buscam seus direitos e, muitas vezes, mesmo não sendo culpa do revendedor, a conta acaba sendo paga por esse.

Desde o início da implantação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), havia orientações sobre os cuidados que deveriam ser redobrados no transporte e armazenamento do combustível. Segundo o consultor, eles devem ser tomados ao longo de todo o processo, “em virtude da capacidade higroscópica [tendência para absorver a umidade do ar] que o produto apresenta, e também os aspectos qualitativos de produção e análise devem ser motivo de constante acompanhamento para melhoria de suas propriedades”.

Para isso, o revendedor pode tomar alguns cuidados para se proteger de eventuais problemas. Oliveira aconselha fazer todos os procedimentos de  descarga da forma correta, com observação da amostra do produto, limpeza constante dos tanques e troca mais frequente dos filtros. “Em caso de qualquer modificação no aspecto do combustível, o fato deve ser comunicado ao fornecedor”, alerta.

De acordo com o consultor, o biodiesel poderá se alterar dependendo da quantidade de água dissolvida existente, do não acondicionamento ideal da amostra e do tempo decorrido, podendo haver oxidação e até formação de material insolúvel.

Há componentes nas bombas, nos tanques ou nos equipamentos que podem piorar o problema e, em alguns casos, pode-se ter a necessidade de troca de tanques, quando eles já se encontram com tempo de vida elevado. “O que se está estudando é a influência das conexões de cobre na estabilidade dos testes do produto, sendo que a recomendação atual é que essas passem a ser feitas de material inox”, declara Oliveira. O custo, nesses casos, fica por conta do proprietário dos tanques, bombas e filtros.

Para os consumidores finais, poucas recomendações podem ser repassadas pelo revendedor para que os problemas sejam evitados. Além de manter os tanques de abastecimento sempre limpos e os mesmos devem ser feitos de materiais compatíveis com a mistura, a observação e a troca periódica dos filtros devem ser realizadas no veículo.

Índices

Os índices de não conformidade do produto, divulgados nos boletins da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), têm aumentado. O maior percentual da mistura de biodiesel no diesel é um dos responsáveis por isso, principalmente nos itens teor e aspecto, afirma Oliveira. Esses fatos aconteceram em todos os outros países em que a mistura foi implantada e, “por isso, foi criado um grupo de trabalho na ANP para apuração de melhores práticas na produção, no transporte e armazenamento, além de novas tecnologias de análise para simular as condições de ‘estresse’ do produto ao longo da cadeia”, explica. Entre as iniciativas, houve o contato, recentemente, para troca de informações com técnicos da França, país que já enfrenta problemas e busca soluções há mais tempo que o Brasil. “Lá, todos os agentes se reúnem em uma associação que visa à melhoria constante do produto”, exemplifica.

Para ele, a metodologia usualmente empregada pela Agência, conceituada como infravermelho, não é a mais precisa, apesar da ANP garantir que, em caso de distorções gritantes, aplique o método da cromatografia gasosa, no qual os picos referentes a cada éster somam-se, independentemente da matéria-prima. Com isso, o resultado final é exato e pode avaliar qualquer oleaginosa.

O consultor esclarece que, no início da implantação do programa, os índices eram possivelmente mais altos do que os apresentados, contudo, o trabalho de qualificação e conscientização que foi feito pelos agentes do mercado levou os registros para patamares mais condizentes com os obtidos na pesquisa da Agência.

Sobre o programa, Oliveira acredita que os responsáveis deverão garantir que todos os aspectos de geração, manuseio, análise e fiscalização sejam estudados, apurados e consolidados, “pois o aumento na mistura, motivado apenas pelo desejo de melhoria de produtividade, geração de emprego e apelo ecológico, pode comprometer o propósito do projeto inicial”, conclui.

Especificação da não conformidade 2009 2010
Teor de enxofre 3% 6%
Teor de biodiesel 28% 35%
Aspecto 36% 34
Corante 3% 5%
Ponto de Fulgor 24% 17%
Outros 7% 4 %
Fonte: ANP

Cuidados

Frequência de limpeza dos filtros da bomba de abastecimento deve ser triplicada
Cumprir todos os procedimentos de descarga, sem descuidar da análise do produto
Comunicar o fornecedor em caso de qualquer modificação no aspecto do produto
Se possível, trabalhar com tanques sempre cheios, pois a prática evita o maior contato do ar e da umidade para menor oxidação e formação de goma
Fonte: Consultor Delfim Oliveira.

Norma

A norma ABNT NBR 15512, que trata de armazenamento, transporte, abastecimento e controle de qualidade de biodiesel ou mistura óleo diesel/biodiesel, está sendo revisada para contemplar detalhes que foram percebidos desde 2008, quando a norma foi lançada

Lei

A Lei n° 11.097, de 13 de janeiro de 2005, estabelece a obrigatoriedade da adição de um percentual mínimo de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor, em qualquer parte do território nacional. Esse percentual obrigatório seria de 5% oito anos após a publicação da referida lei, havendo um percentual obrigatório intermediário de 2% três anos após publicada a legislação, mas, em 2010, os postos já começaram a revender combustível com o percentual maior.

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Informativo "O Segurado" - Setembro de 2013