
Os historiadores têm procurado compreender as peculiaridades do processo de emancipação política do Brasil além do registro da “Independência ou Morte" de D. Pedro às margens do riacho do Ipiranga. A data em que foi formalizada a Independência e a criação de um Império desvinculado do Reino de Portugal e Algarves marca, como qualquer outra, um acontecimento histórico. Ela serve para representar um momento de transformação que já vinha sendo preparado. O País estava livre e poderia seguir dali pra frente, seu próprio caminho. Desde então, o Brasil cresce em meio a diferentes realidades sociais e econômicas, com a instalação de culturas que até então eram determinadas pela influência europeia. Para compreender o verdadeiro significado histórico da Independência do Brasil, levam-se em consideração duas importantes questões: Primeiro, que o 7 de setembro de 1822 não foi um ato isolado do príncipe D. Pedro, e sim um acontecimento que integra o processo de crise do Antigo Sistema Colonial, iniciada com as revoltas de emancipação no final do século XVIII. Ainda é muito comum a memória do estudante associar a Independência do Brasil ao quadro de Pedro Américo, "O Grito do Ipiranga", que personifica o acontecimento na figura de D. Pedro. Em segundo lugar, perceber que a Independência do Brasil restringiu-se à esfera política, não alterando em nada a realidade sócio-econômica, que se manteve com as mesmas características do período colonial. As bases sócio-econômicas (trabalho escravo, monocultura e latifúndio), que representavam a manutenção dos privilégios aristocráticos, permaneceram inalteradas. O "sete de setembro" foi apenas a consolidação de uma ruptura política, que já começara 14 anos atrás, com a abertura dos portos. |
| Informativo "O Segurado" - Setembro de 2009 |