<< voltar

SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA

Em 2009, um estudo realizado pela equipe da cientista Judy Mikovitz, do Instituto Whittemore Peterson, em Reno, Estados Unidos, indicou a presença de um vírus relacionado à leucemia, conhecido pela sigla XMRV, em pacientes que sofrem da SFC. Trata-se, mais precisamente, de um retrovírus, membro da mesma família do HIV,  capaz de se inserir no material genético de um indivíduo e lá ficar pelo resto de sua vida.

Os sintomas da síndrome, como dores por todo o corpo e uma apatia generalizada, se assemelham aos de outras doenças, como câncer, hipotiroidismo e fibromialgia. No fim das contas, esta miscelânea sintomatológica confunde os médicos na hora de iniciar um tratamento.

Trata-se de uma doença misteriosa que é mais frequente em mulheres, na proporção de três para cada homem, que não se sabe muito bem de onde vem e cujo diagnóstico só pode ser feito por exclusão. O que realmente dificulta sua identificação é a demora para determinar se o paciente tem cansaço crônico ou outra doença física por trás dos sintomas. E esse tempo desgasta ainda mais o paciente, que sofre sem conseguir realizar tarefas diárias simples e saber se isso vai passar.

Doença ou um sintoma?

Um dos agravantes é a descrença de muitos médicos que ainda questionam se a síndrome é de fato uma doença. No Brasil, a comunidade médica costuma tratá-la como se fosse fibromialgia, o que explica a pouca bibliografia produzida sobre o assunto.

O grande obstáculo aparece justamente porque o cansaço é considerado um sintoma e não um mal em si. E, no caso, ele vem acompanhado por uma série de outros sinais, que variam a cada indivíduo, muitos de origem física ou psicológica, além exames de sangue e raios X que não apresentam anormalidades. E o que a diferencia do esgotamento causado pelo mero esforço físico é que o cansaço não melhora com o descanso. Assim, inicia um processo cíclico que contribui para gerar cada vez mais fadiga.

A confirmação desse elo do retrovírus XMRV ajudaria os cientistas a criar métodos de prevenção, sorologia e tentar minimizar a evolução dos sintomas por meio de algum tipo de imunização. Infelizmente, embora todos os que sofrem dessa síndrome torçam para que isso não passe de um sonho.

Como lidar com o problema

Rapidez no diagnóstico

Trata-se de algo que contribui para o direcionamento para tratamentos e programas de reabilitação adequados, o que ajuda a conter a evolução do quadro e o aparecimento de novos sintomas. 

Cabeça erguida

Os pacientes que aceitam sua condição e têm vontade de enfrentá-la costumar ter resultados positivos, em comparação aos que dão a batalha por vencida e entregam os pontos.

Terapia cognitiva

Esse tratamento psicológico ajuda o indivíduo a buscar as razões emocionais que o levam ao quadro de fadiga e colabora para a mudança no enfrentamento da síndrome.

Exercícios graduais

Por mais exaurido que o indivíduo se sinta, a prática moderada e gradual de alguns tipos de atividade física tem resultados significativos na melhora do quadro clínico.  

 
Informativo "O Segurado" - Outubro de 2010