
A psicologia moderna já descobriu que 80% das pessoas procrastinam com certa frequência. O que nos leva a concluir que o nível de popularidade dessa tendência comportamental está em alta. Ela está presente em todas as áreas de nossa vida, do trabalho às questões pessoais. Procrastinamos a dieta, a arrumação do armário, o check-up médico, o envio daquela cotação ao cliente, a entrega da declaração do Imposto de Renda, entre outros. Conduta: Ou seja, postergar nossos afazeres é bem mais normal do que poderíamos supor. Trata-se de algo cultural, mas de conduta intrínseca ao ser humano. Procrastinamos o tempo todo sem nem mesmo perceber que o fazemos. Em pequena escala, empurrar com a barriga pode ser plausível. Afinal, a mais coisas a serem feitas do que qualquer um poderia dar conta em um único dia. Lembrar-se disso já é uma boa forma de ver a procrastinação com bons olhos, sem nos culparmos por não conseguirmos resolver todas as tarefas que a vida nos impõe. Não há mal nenhum em deixar para amanhã a renovação da carteira de motorista, o banho do cachorro ou a ida à costureira para pegar as roupas que ficaram prontas. O problema é quando se preterem muitas das tarefas. Ou então quando se adiam algumas delas por tempo demais. Quem procrastina sempre tem a ilusão de que adiar o problema é uma forma de solucioná-lo por enquanto. É como se o escondesse debaixo do tapete para, na próxima faxina, lidar novamente com ele. Mas a questão que os problemas não deixam de existir na mente de quem os adia. E, o que é pior, alguns deles tomam proporções maiores com o passar do tempo. Prioridade: Mas se a procrastinação pode causar tantos danos, por que, afinal, nós deixamos para amanhã para o que devemos ou podemos fazer hoje? Temos a tendência de postergar tudo o que parece tedioso, demanda muito trabalho, não é para hoje. Ou o que não nos dê prazer imediato. A procrastinação é um embate entre o tempo psicológico, estabelecido pelos nossos desejos, e o tempo social, que é marcado pelo tique-taque constante do relógio. E ela pode estar relacionada a diferentes razões. Uma é a falta de autocontrole, que faz com que as pessoas acabem adiando atividades para as quais deveriam dar prioridade, justamente por agir de forma impulsiva e perder o senso crítico e racional da situação. São pessoas que dizem gostar de trabalhar sob pressão ou resolver as coisas no limite do tempo. E afirmam ter um desempenho melhor dessa forma. No ambiente de trabalho, é comum agirmos pelas prioridades. O senso de urgência teve sua referência alterada. Tudo é muito rápido, tudo é para ontem, tudo tem que ser agora. Do contrário, podemos perder clientes, dinheiro, posição ou até status. Mas a mudança no parâmetro de urgência afetou todos nós de forma negativa. Tanto que não podemos conviver com a ideia de deixar para amanhã a resposta de um e-mail que não é tão importante assim. Na ânsia de fazer tudo e mostrar para o chefe que você dá conta de realizar todas as tarefas ao mesmo tempo, as pessoas acabam postergando as tarefas que deveriam ser fundamentais. Ou seja, esse novo senso de urgência está fazendo com que tornemos mais procrastinadores ao adotarmos a ideia de que tudo é impreterível. Não é: há coisas mais urgentes do que outras. E estabelecer esta hierarquia de prioridades, apesar de difícil, é primordial para que as tarefas importantes sejam feitas com a dedicação que elas exigem. Criar prazos e termos concretos é uma forma de nos impulsionarmos a pôr a mão no batente e seguir em frente – seja no que for. No entanto, um grupo de pessoas que procrastinam por não conseguir tomar decisões porque não decidir, na cabeça delas, as absolve das responsabilidades que viriam com tais decisões. E, para não sofrer as consequências, preferem ficar estacionadas. A maioria de nós também é assim: temos a necessidade imperiosa de evitar o desprazer a qualquer custo. Preferimos, muitas vezes, a agonia da espera, em lugar de fazer uma vez o que precisamos principalmente se for para nos causar qualquer tipo de sofrimento. Arrisque: A questão de procrastinar está ligada diretamente, para algumas pessoas, a baixa autoestima e insegurança. E, por causa delas, acabamos protelando para evitar o medo de não termos o sucesso esperado em algumas tarefas. As pessoas com estas características são muito preocupadas com que os outros pensam delas. Dessa forma, preferem que pensem que ela é displicente e tem problemas em se esforçar para agir, percebendo, que, no fundo, elas não têm habilidades para isso. É preciso ter consciência das limitações e habilidades para o que se está disposto, vencendo o que nos paralisa e desviando das distrações que nós mesmos colocamos todo dia em nossa vida, assim, já teremos meio caminho andado para enfrentar qualquer situação |