O SABOR DE CRESCER COM SAÚDE

Uma alimentação adequada no começo da vida faz grande diferença para os pequenos.
“Coma todo o verdinho que está no prato!” Quem nunca ouviu frases assim dos pais ou já não disse isso aos filhos? A alimentação saudável é crucial para o bom desenvolvimento do organismo na fase de crescimento, mas frequentemente encontra obstáculos que, se não vencidos ainda cedo, podem se tornar hábitos difíceis de mudar na adolescência ou idade adulta.
Tudo começa, no entanto, nas primeiras horas de vida. “Até os seis meses, o leite materno deve ser exclusivo, nem água ou chás são recomendados”, explica Nairana Borim, nutricionista do Centro de Nutrição do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Quando há dificuldades de amamentar, é preciso garantir que os nutrientes adequados continuem a ser fornecidos: é quando entra em cena a fórmula artificial – o uso desse tipo de alimento deve ser feito sempre sob orientação do pediatra e do nutricionista. “Nesses casos, recomendamos que a fórmula seja exclusiva nos seis primeiros meses”, complementa Nairana.
Novidade à mesa:
A introdução de novos alimentos é um momento importante para as crianças, pois geralmente ocorre quando só o leite deixa de prover todos os nutrientes necessários. No início, sucos e papinhas de frutas servem para facilitar a adaptação do aparelho digestivo do bebê e, em seguida, podem-se adicionar legumes, cereais, carne e verduras. “Cabe observar as reações no organismo ao novo alimento, como alterações gástricas, intestinais e alergias. Por isso, é bom introduzir um por vez, lembrando que açúcar, salgadinhos e alimentos industrializados e/ou artificiais devem ser evitados”, diz a nutricionista.
Diversos estudos apontam que a base do paladar é formada até os dois anos de idade e, para alguns, é aí que mora o “perigo”. Muitos pais passam a oferecer aquilo que agrada o seu próprio paladar aos filhos e se esquecem de diversificar a alimentação dos pequenos. “A partir dos dois anos, a criança começa a observar e entender que o pai e a mãe comem. Se os pais não consomem vegetais e frutas, os filhos perderão o interesse nesses alimentos”, adverte Nairana.
Mais cor, mais saúde!
Não é sempre, porém, que a criança concorda em comer algo pela primeira vez. Algumas precisam experimentar o mesmo alimento de oito a dez vezes antes de aprova-lo e é nesse momento que a maioria dos pais erra. É preciso certa insistência e, além disso, oferecer cardápios coloridos. “As cores ajudam a compor a apresentação dos pratos e são ótimas para atrair a atenção e despertar o apetite da criança. Use frutas, legumes e verduras e peça, sempre que possível, a ajuda da criança no preparo das refeições como um sanduíche, por exemplo, que leva tomate, alface e cenoura no recheio. Os pequenos ficam curiosos para saber se o que eles mesmos prepararam está gostoso.”
Dicas para os papais:
Não trate vegetais como “obrigação” e doces como “recompensas”. “Acabe de comer suas verduras e você pode comer a sobremesa” é uma estratégia que pode influenciar nas preferências alimentares e no comportamento alimentar infantil.
Não force a criança a comer toda a refeição, pois isso dificulta a diferenciação entre estar ou não saciada. Se achar que ela comeu pouco, ofereça uma fruta como complemento, nada de iogurtes, doces ou mamadeiras; se ela comer muito pouco e por um período prolongado, procure o pediatra ou nutricionista.
As refeições em família devem ser momentos de prazer. Evite repreender a criança de maneira agressiva à mesa, isso pode gerar transtornos relacionados à alimentação.
Incentive seus filhos a praticar esportes, o que é bom para o desenvolvimento motor e cognitivo, além de auxiliar no controle/ manutenção de peso da criança.
Passe mais tempo com seus filhos, converse e dê atenção, passeie e, ajude nas tarefas escolares. Infelizmente, muitos pais tentam compensar sua ausência com brinquedos e doces, prejudicando a alimentação dos futuros adultos.
| Informativo "O Segurado" - Fevereiro de 2013 |